terça-feira, 31 de maio de 2011

GAROTA ATIROU PARA PROVAR QUE TEM CORAGEM

FOTO: CÂMERA REC

A adolescente acusada pela morte do vendedor Daniel Peres Lopes, 50 anos, executado na madrugada de sábado com um tiro no abdome, apresentou-se no início da tarde de ontem na delegacia de Sarandi – região Metropolitana de Maringá – e assumiu a autoria do crime. Em meio às justificativas apresentadas à polícia, a garota contou que se sentiu ofendida pelo fato de uma das pessoas, com a quais havia se desentendido, ter colocado sua coragem em dúvida. Acompanhada do advogado Aristóteles Rondon, a adolescente, de 16 anos, explicou que havia ido à lanchonete acompanhada de três amigas, uma de 13 anos, outra de 19, além de uma comerciante de 30 anos. Segundo ela, o desentendimento que culminou com o disparo teve início depois de os ocupantes de uma mesa ao lado da sua, onde estava a professora Keila Aline de Melo Blasques, 30 anos, acompanhada do marido, um primo e amigos, começarem a dar risadas das meias de rede usadas pelas suas amigas, de 13 e 19 anos. Ainda de acordo com a adolescente, as provocações geraram um clima ruim entre os ocupantes das duas mesas, que passaram a trocar olhares inamistosos. "Uma das mulheres que acompanhava a professora foi à nossa mesa e disse que era pessoa de bem e não queria confusão", contou a adolescente. No entanto, segundo ela, a professora não teria recuado e dito que "não era pessoa de boa" e, se precisasse brigar ou matar, ela o faria. "Uma mulher chegou a chamar a professora para ir embora, mas ela recusou dizendo que eu não teria coragem de tentar algo contra ela".  Dizendo ter se sentida ofendida pelo fato de a professora ter colocado sua coragem em dúvida e de, posteriormente, tê-la xingado, a adolescente contou que cruzou a rua e pegou um revólver, calibre .32, que havia escondido ao pé de uma árvore antes de entrar na lanchonete. Do meio da rua, ela apontou a arma em direção da professora e acionou o gatilho duas vezes. "Errei o tiro e acabei acertando o homem, que estava sentado atrás dela", disse a garota, acrescentando que momentos antes de morrer, a vítima havia ido a sua mesa e lhe pagado um refrigerante. 
Fuga
A garota disse que após fugir do local escondeu-se em um ponto da linha férrea, onde permaneceu até o dia amanhecer. Depois, pegou um ônibus e seguiu para Maringá. Questionada sobre o motivo de andar armada, ela explicou que decidiu comprar o revólver pelo fato de ter se envolvido em várias confusões com diversas pessoas. O superintendente da Delegacia de Sarandi, investigador Carlos de Oliveira, confirmou que representará pela busca e apreensão da garota, mas adiantou que caso o pedido seja aceito pela Justiça, não terá onde mantê-la na delegacia, uma vez que o prédio não dispõe de cela própria para menores infratores do sexo feminino. "Creio que caberá à Justiça determinar sua transferência para uma unidade".
Número
20 homicídios foram registrados este ano em Sarandi, média de um por semana.
FONTE: O DIÁRIO.COM

0 comentários:

Postar um comentário